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sexta-feira, 27 de junho de 2008

PAI JAÚ

O GRANDE MARTIR DA UMBANDA

"Um apelido como qualquer outro" era a resposta que Euclides Barbosa dava quando lhe perguntavam de onde ou do que havia surgido o apelido Jaú.

Evitava falar de sua vida e das mulheres que sempre povoaram sua existência de alegrias e muitos dissabores. Apenas dizia que, como filho de Ogum, estava seguindo à risca os ensinamentos de seu pai.

De fato, o cidadão Euclides Barbosa, que ficou conhecido como Jaú, sempre foi um líder, desbravando territórios que ainda não haviam sido tocados por nenhum outro brasileiro.

Sua espiritualidade, como a de todos os seres que são contemplados com este tipo de missão, surgiu nos primeiros anos de sua vida, mas a visita a algumas benzedeiras da época retardou a explosão espiritual, que se deu após encerrar sua brilhante carreira como jogador de futebol.

"Sou uma pessoa que tem três pesos e três medidas: sou da raça negra, umbandista e corintiano."

Sábias palavras de quem tinha um parco conhecimento das letras, mas um infinito instinto de sobrevivência e de garra para não se deixar derrubar por nada neste mundo.

Suas façanhas no futebol foram cantadas em versos e prosa; a mais conhecida foi um jogo de vida e morte do "Coringão".

Jaú, em uma dividida de bola, acabou tendo um ferimento grave na cabeça. Sua presença era essencial para que o time conseguisse vencer o adversário.

Foi nesse instante que recebeu, pela primeira vez, uma mensagem espiritual, e a levou a sério.

Jaú estava deitado na maca, fora das linhas do campo, o médico dizendo ao técnico que ele não poderia voltar ao jogo, pois o sangue não parava de jorrar e, provavelmente, ele havia sofrido uma concusão cerebral; somente um milagre faria com que ele se levantasse. Quando olharam para o lado, Jaú estava de joelhos, olhando para o infinito, como se estivesse ouvindo instruções, e passou a mão no gramado, arrancou um chumaço de grama, colocou no ferimento, e, ainda seguindo as instruções, enfaixou a cabeça. Depois, solenemente encostou a testa na terra e levantou-se, como que impulsionado por uma mola, entrando vitorioso no campo, sob os aplausos da torcida e a perplexidade do médico e do técnico.

Mais tarde, este gesto de tocar o solo do gramado com a testa passou a ser marca registrada do grande jogador e tinha tanta influência entre os colegas que ninguém se atrevia a colocar os pés no gramado sem que houvesse o toque da sorte, como passou a ser conhecido.

Quando Jaú pendurou as chuteiras e passou a dedicar-se inteiramente à sua missão religiosa, teve realmente de ter o mesmo espírito de luta que sempre lhe acompanhou nas disputas espor­tivas.

Sua religião era mais discriminada do que ser da raça negra ou então ser corintiano.

Mesmo sem jogar, continuou fazendo, no Pacaembu, toda a vez que o timão fosse jogar, suas "mandingas" no campo para dar sorte aos jogadores.

O radialista Estevam Sangirardi imortalizou a figura de Jaú nos programas que eram apresentados após cada jogo e ninguém reclamava, pois realmente era uma homenagem merecida ao grande guerreiro.

Na religião, não teve tanto reconhecimento, ao contrário, foi o mais discriminado, o mais criticado e o mais perseguido pela polícia, que juntava a bronca de Jaú ter sido grande jogador corintiano com o fato de sua magia ainda ajudar nas grandes partidas.

Foi preso diversas vezes, sob alegação de estar praticando feitiçarias. Passou por muitas torturas, como ficar horas ajoelhado no milho; dias e noites sem comer, recebendo apenas goles de água. "Se ele recebe mesmo espíritos, não precisa comer nem beber", satirizavam os carrascos. Por fim, acabavam libertando-o, pois os filhos-de-santo se aglomeravam defronte à delegacia e, cantando pontos de Umbanda, pediam a libertação de Pai Jaú.

Uma das torturas mais cruéis ocorreu quando o Timão estava disputando uma final e Pai Jaú, ao acabar de fazer sua mandinga de sorte, disse ao técnico que o zagueiro deveria ficar mais solto, pois o gol da vitória estaria em seus pés. Não deu outra e o Timão foi campeão daquele ano. Não mencionaremos o nome do time adversário para não causar constrangimento, pois temos certeza de que o ato praticado por alguns indivíduos não era a vontade de todos os torcedores.

A noite, Pai Jaú estava fazendo seu trabalho espiritual, quando seu pequeno terreiro foi invadido por policiais, que alegaram ter recebido uma denúncia de que no local estavam promovendo uma orgia pela vitória do Timão. Pai Jaú foi arrastado para o camburão e levado para a delegacia, não na mesma de sempre, o que dificultou aos filhos localizarem prontamente e pedirem sua soltura.

Até que fosse encontrado, na noite seguinte, Pai Jaú passou pela humilhação de ficar no "pau-de-arara", levando choques e foi jogado entre marginais de outros times, que o espancaram.

Não satisfeitos, os policiais separaram dez palitos de fósforo, fizeram pontas bem finas e enfiaram, bem devagarzinho, entre as unhas das mãos de Pai Jaú, que nesse momento invocou a proteção do Sr. Ogum.

Foi atendido; quando os carrascos acenderam os palitos, ele começou a ver, nas chamas, uma espécie de luz, formando uma figura de índio. De seus olhos escorreram lágrimas, não de dor e sim de pena daqueles sujeitos que acharam que estavam lhe fazendo um grande mal. Estavam lhe proporcionando passar por um grande milagre espiritual.

Os policiais foram afastados a bem do serviço e nunca mais Pai Jaú foi perseguido pela polícia.

Até os 82 anos, idade em que faleceu, Pai Jaú atendia pessoas todas as quartas-feiras. Todos admiravam seu caboclo, pois sempre vinha do mesmo jeito, independente da idade ou da saúde do velho guerreiro. Na incorporação, seu corpo estirado se elevava mais de um metro do chão e, ao tocar no solo, o caboclo batia a cabeça no chão, no gesto característico do grande Decano.

Como já aconteceu com muitos sacerdotes, por não deixar por escrito sua vontade, após sua morte, no que diz respeito a cerimônia e legados, Pai Jaú sofreu a discriminação e o desrespeito. Seus filhos-de-santo não puderam fazer nada, pois a família, com exceção de seu filho Jair, que nunca havia participado de sua vida, proibiu qualquer cerimonial umbandista e, no dia seguinte ao enterro, sua filha evangélica desmontou o congá, jogou tudo na rua e colocou fogo, sob os olhos atônitos dos vizinhos, que não puderam ou não quiseram interferir.

Terminava assim a trajetória de um homem que honrou seu tempo, seus amigos e seus filhos espirituais, mas que recebeu muito pouco ou quase nada em troca, a não ser sua própria luz na eternidade.

Ao Velho Pai Jaú,

por seu Dia de Glória


Guarulhos/SP - 27 de maio de 1984 - domingo de sol brilhante em praça de esportes apinhada de amigos e companheiros de ontem, hoje e sempre, todos ávidos por abraçar aquela figura simples e humilde, que irradia amor e respeito. A gratidão dos ali presentes se manifesta no riso e nas lágrimas, no abraço fraterno e nas reminiscências.

Uma partida de futebol em sua homenagem, à volta, em torno do gramado sob aplausos comovidos, pois presente estava, bem junto de nós, aquele garoto que confortou e cuidou dos hansenianos, que transmitiu aos seus contemporâneos de outrora a palavra de incentivo à prática esportiva, formadora de homens de corpo e mente sãos, haja vista que, com seu comportamento digno, fazia chegar às consciências os exemplos de uma vida sem mácula, dedicada ao trabalho e ao auxílio fraterno a quantos o procuravam; muita caridade, muita fé e trabalho, sem esmorecimento e sempre olhando para frente. Ali presente; o menino da várzea, o rapaz de campo do matadouro, onde fundou seu primeiro clube esportivo no município; o homem que capitaneou e honrou as cores da camisa do selecionado brasileiro de futebol; o Babalorixá que durante todos esses anos vem praticando e prestando a caridade a todos os irmãos em humanidade, e que no passado a incom­preensão e a perseguição inquisitorial algum dia afastou por breves anos daquele município.

Mas, alguns anos são nada diante da eternidade e, neste domingo de sol e reconhecimento do povo, dos amigos e das autoridades ao nosso venerado Pai Jaú, sentia-se nele felicidade e o prazer ao correr a vista à sua volta e rever o cenário, algo modificado pelo tempo e pelo progresso, todavia, aqueles mesmos locais, os companheiros já também encanecidos pelo tempo, e divisava-se em cada rosto a alegria festiva de rever, naquele homem simples e bom, a árvore frondosa de uma existência digna, exemplo vivo do cidadão eterno, quer em sua vida particular, quer na sua vida pública, mais ainda com o emérito sacerdote de uma Umbanda que a cada dia vê crescer em número e represen­tatividade. Ainda hoje as suas palavras são de amor e respeito às crianças e aos idosos, de incentivo aos que tempo­rariamente encontram-se no desespero e, primordialmente, de união entre os seus irmãos de fé e para a humanidade, a fim de que cheguemos todos à paz.

"A nós outros, que temos a felicidade e o privilégio de poder compartilhar os passos de Pai Jaú, fica indelevelmente gravado em nossas mentes suas palavras e ações, sua vida, nomes e acontecimen­tos que não caberiam em um único livro, mas o exemplo maior de infinita caridade e amor, distribuídos à mancheias que a nossa pequenez permite apenas e mui palidamente tentar imitar. Que Oxalá o abençoe e guarde hoje e sempre. Sua benção Pai Jaú."

Rui N. Chagas

DIRETRIZES INDIVIDUAIS NOS GRUPOS

Se você foi chamado a cooperar num grupo de atividade cristã, agradeça as oportunidades de servir e esqueça seus direitos imaginários para que a luz do dever resplandeça em seu caminho.

Pagar mensalidade do estilo e colaborar com dinheiro não é difícil; dê o concurso direto de suas forças na obra a realizar.

Guarde para seus companheiros a gentileza de que se sente credor diante deles; a cordialidade é alicerce da paz.

Antes de exigir novas manifestações dos amigos espirituais, não deixe de manifestar, por sua vez, através de atos, palavras e pensamentos, os sublimes valores que já recebeu; se o intercâmbio com o plano invisível é agradável, o trabalho da experiência humana é iminentemente importante.

Aplique os ensinamentos evangélicos no serviço diário a que consagra o coração; se você não está interessado em espiritualizar-se, é inútil que as entidades superiores se sacrifiquem por sua causa.

Não use a crítica, nem a reprovação, faça o bem que estiver ao seu alcance, porque o problema não é o de repetir – “se fosse comigo faria assim” – mas de imprimirmos nossas obrigações pessoais à frente do Cristo.

Não perca tempo reclamando contra a ingratidão, procurando o espinho ou medindo as pedras da estrada; lembre-se de que o seu grupo é também uma orquestra convocada a executar o serviço de Jesus para a Harmonia Divina da vida e, se você não usar o instrumento que lhe compete com a eficiência devida, a música viverá sempre desafinada.




pelo Espírito André Luiz - Do livro Cartas do coração. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

O ideal de cada um

“Cada qual de nós, seja de onde for, está sempre construindo a vida que deseja.

Existência é a soma de tudo o que fizemos de nós até hoje.

Toda melhoria que realizarmos em nós, é melhoria na estrada que somos chamados a percorrer.

Toda a idéia que você venha a aceitar influenciará seu espírito; escolha os pensamentos

do bem para orientar-lhe o caminho e o bem transformará sua vida numa cachoeira de bênçãos.

Se você cometeu algum erro não se detenha para lamentar-se; racione sobre o assunto e

retifique a falha havida porque somente assim, a existência lhe converterá o erro em lição.

Muito difícil viver bem se não aprendermos a conviver.

A vida por fora de nós é a imagem daquilo que somos por dentro.

Viver é a lei da natureza, mas a vida pessoal é a obra de cada um.

Toda vez que criticamos a experiência dos outros, estamos apontando

em nós mesmos os pontos fracos que precisamos emendar em nossas próprias existências.

Seu ideal é o seu caminho, tanto quanto seu trabalho é você."



André Luiz (espírito)

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

ANJOS GUARDIÃES...



Os anjos guardiães são embaixadores de Deus, mantendo acesa a chama da fé nos corações e auxiliando os enfraquecidos na luta terrestre.

Quais estrelas formosas, iluminam as noites das almas e atendem-lhes as necessidades com unção e devotamento inigualáveis.

Perseveram ao lado dos seus tutelados em toda circunstância, jamais se impacientando ou os abandonando, mesmo quando eles, em desequilíbrio, vociferam e atiram-se aos despenhadeiros da alucinação.

Vigilantes, utilizam-se de cada ensejo para instruir e educar, orientando com segurança na marcha de ascensão.

Envolvem os pupilos em ternura incomum, mas não anuem com seus erros, admoestando com severidade quando necessário, a fim de lhes criarem hábitos saudáveis e conduta moral correta.

São sábios e evoluídos, encontrando-se em perfeita sintonia com o pensamento divino, que buscam transmitir, de modo que as criaturas se integrem psiquicamente na harmonia geral que vige no Cosmo.

Trabalham infatigavelmente pelo Bem, no qual confiam com absoluta fidelidade, infundindo coragem àqueles que protegem, mantendo a assistência em qualquer circunstância, na glória ou no fracasso, nos momentos de elevação moral e naqueloutros de perturbação e vulgaridade.

Nunca censuram, porque a sua é a missão de edificar as almas no amor, preservando o livre-arbítrio de cada uma, levantando-as após a queda, e permanecendo leais até que alcancem a meta da sua evolução.

Os anjos guardiães são lições vivas de amor, que nunca se cansam, porquanto aplicam milênios do tempo terrestre auxiliando aqueles que lhes são confiados, sem se imporem nem lhes entorpecerem a liberdade de escolha.

Constituem a casta dos Espíritos Nobres que cooperam para o progresso da humanidade e da Terra, trabalhando com afinco para alcançar as metas que anelam.

Cada criatura, no mundo, encontra-se vinculada a um anjo guardião, em quem pode e deve buscar inspiração, auscultando-o e deixando-se por ele conduzir em nome da Consciência Cósmica.

*

Tem cuidado para que te não afastes psiquicamente do teu anjo guardião.

Ele jamais se aparta do seu protegido, mas este, por presunção ou ignorância, rompe os laços de ligação emocional e mental, debandando da rota libertadora.

Quando erres e experimentes a solidão, refaze o passo e busca-o pelo pensamento em oração, partindo de imediato para a ação edificante.

Quando alcances as cumeadas do êxito, recorda-o, feliz com o teu sucesso, no entanto preservando-te do orgulho, dos perigos das facilidades terrestres.

Na enfermidade, procura ouvi-lo interiormente sugerindo-te bom ânimo e equilíbrio.

Na saúde, mantém o intercâmbio, canalizando tuas forças para as atividades enobrecedoras.

Muitas vezes sentirás a tentação de desvairar, mudando de rumo. Mantém-te atento e supera a maléfica inspiração.

O teu anjo guardião não poderá impedir que os Espíritos perturbadores se acerquem de ti, especialmente se atraídos pelos teus pensamentos e atos, em razão do teu passado, ou invejando as tuas realizações... Todavia te induzirão ao amor, a fim de que te eleves e os ajudes, afastando-os do mal em que se comprazem.

O teu anjo guardião é o teu mestre e amigo mais próximo.

Imana-te a ele.

Entre eles, os anjos guardiães e Deus, encontra-se Jesus, o Guia perfeito da humanidade.

Medita nas Suas lições e busca seguir-Lhe as diretrizes, a fim de que o teu anjo guardião te conduza ao aprisco que Jesus levará ao Pai Amoroso.

Divaldo Pereira Franco.- Momentos Enriquecedores ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis - 1994.

A CORAGEM DA FÉ



Filhos, as páginas que ora vos endereçamos do Mais Além, reunidas neste singelo opúsculo, foram escritas tão-somente com o propósito de encorajar-vos na luta pelo ideal que abraçastes, sob o pálio da doutrina do Evangelho Restaurado, que é o Espiritismo, perseverando, sem esmorecimento, na tarefa da própria renovação que, sem dúvida, se vos constitui no objetivo maior da existência.

De nada vale o brilho da inteligência, se o coração permanece às escuras.

A reencarnação que não promove o renascimento moral da criatura, não passa de ato que não está à altura de sua transcendência e significado.

O conhecimento espírita é, sem dúvida, a melhor oportunidade de conscientização para o homem que pretende libertar-se do cativeiro de milenar comodismo espiritual, afastando-se, em definitivo, das sinuosas estradas da ilusão, com, até então, diminuto aproveitamento das lições que lhe possibilitam o crescimento diante da Vida.

Refletindo, assim, sobre o teor de vossas responsabilidades nos deveres que sois chamados a cumprir na Seara, uma vez que não mais vos será possível o recuo, sem graves comprometimentos de ordem cármica, não olvideis a sábia advertência que o Mestre dirigiu aos cristãos de todos os tempos: "Todo aquele, pois, que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; e o que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus."

Bezerra de Menezes - Uberaba - MG, 29 de agosto de 2002 - A Coragem da Fé

ENTRE DUAS SEMANAS



Quando o irmão Rogério, um dos mentores espirituais do grupo, concluia as instruções da noite, pela médium Dona Jovina, João Anselmo, corretor de imóveis e um dos freqüentadores da casa, apelou para ele, solicitando:

- Querido benfeitor, os planos de caridade que alimento, desde muito, exigem recursos, a fim de se expressarem!... Compreendo e compreendo muito bem que os princípios espíritas não me autorizam a rogar-vos apoio na solução de problemas financeiros, entretanto... Como desejaria receber o amparo da Vida Maior! Tantos doentes abandonados, tantos meninos desprotegidos!... Dinheiro, meu amigo!... Dinheiro é o material de que necessito para a formação de um lar em que me seja possível começar a tarefa socorrista a que me proponho... Obtendo possibilidades justas, guardo a certeza de que conseguirei ajudar a muitos. Imaginemos que a vossa bondade me situe nos braços algumas facilidades, das quais posso partir no rumo de aquisições maiores... Alguma cooperação inesperada, algum negócio feliz!... Então, estaríamos em condições de principiar... Oh! meu amigo! A beneficência!... Haverá no mundo algo de mais sublime? Entretanto, para auxiliar e m favor de alguém, carecemos de auxílio... E, em tudo isso, dinheiro é o problema! Em nome do Senhor, peço-vos!... Amparai-me!... Tenho necessidade de socorro amoedado para servir!...

O Espírito amigo, na organização mediúnica, alongou-se no silêncio com que registrava a petição, e anotou, em seguida:

- Entendo, meu caro... Sua rogativa é muito simpática. Temos porém, agora, o nosso horário precisamente encerrado e, em razão disso, tornaremos ao assunto, na próxima reunião. Creia que Deus tem sempre o melhor para nos dar.

Anselmo revestiu-se de ansiosa expectativa e passou a esperar.

Decorridos dois dias, encaminhava-se de um sítio para outro, nos arredores da cidade que lhe serve de residência, quando assinalou, quase rente a ele, forte remoinho de vento. Estacou, por instantes, procurando evitar a nuvem de pó, e, tão logo cessou o brando tumulto na natureza, viu que, aos seus pés pousara uma cédula de dez cruzeiros novos.

O ar em movimento lhe trouxera a doação imprevista.

Recolheu o dinheiro, alegremente, e prosseguiu na marcha.

Não contara, ainda, duzentos passos, quando se abeirou dele triste mulher em farrapos, a rogar-lhe em desconsolo:

- Meu senhor, ajudai-me, por amor de Deus!...

- Que deseja a senhora de mim? – trovejou a voz do agente comercial.

- Caridade para meu filho necessitado de alimento e remédio... Preciso pagar à farmácia o débito de dois cruzeiros a fim de poder continuar recebendo novos medicamentos... Socorrei-me, Senhor!...

- Que pensa a senhora que sou? Algum banco ambulante? Não roubei, nem ganhei na loteria...

- Piedade, senhor!...

E porque a desditosa criatura se pusesse de joelhos, o corretor gritou, áspero:

- Saia da minha frente! Sou um homem ocupado, tenho mais o que fazer! Se quiser dinheiro, que vá trabalhar!...

Reergueu-se a pedinte, retrocedendo humilhada, enquanto o mal-humorado viajor continuava a caminho.

Transcorrida uma semana, eis Anselmo, de novo, na reunião, perante Irmão Rogério que distribuia os benefícios da evangelização.

Pedia dinheiro, aguardava dinheiro...

Rogério lhe ouviu a longa súplica, fixando o belo sorriso na expressão fisionômica, e rematou:

- Anselmo, meu filho, estamos observando a força de suas promessas e decisões. Sem dúvida que o dinheiro é necessário para a execução de determinadas obras de beneficência na Terra, mas se você não tem ainda a precisa coragem para se desfazer de dois cruzeiros, em favor de pobre mãe, depois de haver recebido dez cruzeiros, que lhe colocamos aos pés, através do vento, de que modo conseguirá você auxiliar os outros, se o Mundo Espiritual lhe confiar agora a fortuna de alguns milhões?




Livro Relatos da Vida - Psicografia Francisco C. Xavier - Espírito Irmão X.



segunda-feira, 16 de junho de 2008

REFORMA ÍNTIMA

Que loucura essa?
Ou melhor...Que verdade essa?...A verdade íntima é como uma dor, algo que já faz parte de ti á milênios, mas só agora foi descoberto, no instante do reencontro sente-se dor, confusão, desilusão e até mesmo um desencantamento....a visão já não é a mesma, no lugar dos olhos de antes estão olhos atentos, críticos, frios e racionais e só resta a FÉ.